Resenha Histórica

Não é fácil determinar como nasceu Cadima, pois há falta de documentos que comprovem as conjecturas sobre o passado. Sabe-se, porém, que foi povoada por romanos, senão antes, por outros povos. Segundo a tradição, e há alguns vestígios disso, o local do Pelício foi , outora, uma cidade Romana, arrasada pelos árabes, provavelmente no século VIII. Plínio, o Moço, historiador romano, na sua Crónica das Hespanhas, refere-se a umas nascentes com prodígios especiais localizadas no campo “Catinense”, que quadra com a famosa fonte dos Olhos de Fervença, em Cadima, nome actual que seria a Catina dos romanos. Segundo eruditos, os árabes chamaram-lhe Qadimu, com o significado de coisa antiga. Também a “Lenda de Cadima”, nos dá uma origem fantástica de “Cadima”, uma bela donzela, de origem desconhecida, que ao chegar aqui, encontrou, num jovem nativo, o grande amor da sua vida. Porém, seu pai, cuja vida era dominada por satanás, ordenou que partissem para outra terra. Exausta de tanta maldade, ela resiste e chora amargamente a sua dor. É no auge do seu pranto, que a terra se abre e ela desaparece. No mesmo instante, nascem duas abundantes fontes, que a tradição chamou Olhos de Cadima. As referidas nascentes, hoje, conhecidas por Olhos de Fervença, fornecem água a todas as 18 freguesias do concelho de Cantanhede, e outras povoações de concelhos vizinhos.
 
Após a expulsão dos árabes do castelo de Montemor-o-Velho, no ano de 1040, pelo rei de Leão, Fernando Magno, foi instituído, o Condado Conimbricense, no ano de 1064. Pacificada esta região, apesar da proximidade do inimigo, foi mandada povoar por D. Sisnando, natural de Tentúgal e primeiro governador deste Condado. Terá sido a partir desta altura, que teve início a formação da paróquia, com a designação de “Cadima”, cuja primeira Igreja foi sagrada no ano de 1181, reinado de D. Afonso Henriques, o qual lhe terá concedido carta de foral, renovada por D Manuel I em 1514. Foi o local da igreja, escolhido no meio do triângulo formado pelos lugares de Cadima, Guímera e Aljuriça, talvez os únicos existentes da época. Terá sido ainda D. Afonso Henriques, quem doou vastas áreas desta região. Foram os frades crúzios que, durante cerca de seiscentos anos, exploraram a agricultura em regime de aforamento. Com o fim de receber as rendas e encaminhá-las para Coimbra, criaram filiais na Fonte Quente, da actual freguesia da Tocha e na Quintã, onde construíram a capela de Santo Amaro. Quintã e Tocha formavam, assim, uma Freguesia isenta, por ser couto do referido Mosteiro. A Igreja de Cadima pertencia à coroa e era padroado da Universidade de Coimbra, que nomeava o pároco. 
No século XVIII, Cadima era Vila e Concelho, com administração autónoma e juiz ordinário. A poente, confinava com o mar, abrangendo toda a área, que hoje faz parte da freguesia da Tocha, e integrava-se no termo de Montemor-o-Velho.
 
Extinto o Couto do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, por carta de lei, de 31 de Dezembro de 1853, Quintã perdeu o estatuto de freguesia/paróquia e passou a pertencer à freguesia de Cadima que, pela mesma carta, perdera o estatuto de Concelho. Deste modo, desprovida das categorias de Vila e de Concelho, Cadima perdeu as freguesias de Arazede e Liceia, que passaram a pertencer a Montemor, e foi anexada a Cantanhede, como Freguesia.
 
A paróquia da Tocha, por seu lado, só seria constituída Freguesia civil, em 15 de Outubro de 1910.
 
Por decisão da Assembleia da República, de 12 de Julho de 1986, é a área da freguesia de Cadima novamente reduzida a metade, com a criação da Freguesia civil de Sanguinheira, a qual era já paróquia, desde 1948.